A INDÚSTRIA EM MOÇAMBIQUE

As atividades da população moçambicana são:

Clica nas atividades acima e sera direcionado o conteúdo.

Características gerais

− De forma geral, a indústria Moçambicana é ainda muito subdesenvolvida;
− É uma indústria fundamentalmente manufactureira. No geral, dedica-se às actividades de extracção e transformação de alguns recursos naturais em pequenas escalas;
− É uma indústria ainda de poucos investimentos, de pouca investigação, de tecnologia simples e rudimentar;
− As principais unidades industriais localizam nas grandes cidades e centros urbanos.
− Os principais tipos de indústria são a extractiva e a transformadora

Indústria extractiva

A exploração de minérios em Moçambique realiza-se desde  o tempo em que   o ouro, a prata e o marfim  embarcavam no porto de Sofala com destino a  Europa. Este ouro era traficado a partir das zonas localizadas em Chimoio (Província de Manica) e Chifumbazi (Província de Tete).

Ao longo de cinco séculos, a actividade mineira foi realizada com carácter meramente artesanal, por homens que buscavam o ouro devido ao seu elevadíssimo  valor na Europa de então.

Em 1878, com a formação das companhias Majestáticas, há que realçar o papel desempenhado pela companhia de Moçambique  e a companhia da Zambézia ao encorajarem a prospecção mineira incluindo  a do ouro nas áreas sob a sua jurisdição, bem como a criação da Repartição de Minas com um laboratório anexo.

 Na década  20, a actividade mineira estendeu-se à exploração do carvão e do cobre e mais tarde as explorações de pedras preciosas e semi-preciosas na zona dos  pegmatitos da alta Zambézia.

Estudos mais recentes indicam que o país possui uma vasta gama  de minérios. Porém, à excepção do carvão e da tantalite, a produção mineira para além de ter sido realizada de maneira descontínua, ela jamais foi significativa. Este facto, resulta da carência de estudos  geológicos por um lado, e por outro da indefinição de uma estratégia de desenvolvimento do sector mineiro no país. Esta situação aliada a não  realização de estudos de viabilidade económica de maneira sistemática, votou a actividade mineira a uma certa letargia que contribuiu para o incipiente desenvolvimento do sector no seu todo.

Centros mineiros

 Em termos geográficos, a actividade mineira no passado colonial estava concentrada nos distritos  da Zambézia, Nampula, Tete e Minica, embora existissem algumas concessões nos distritos de Niassa, Sofala e Lourenço Marques. Até a altura  da independência nacional, haviam 79, concessões mas somente 16 estavam em actividade.

Nos distritos da Zambézia e Nampula extraíam-se, sobretudo, a colombite, a tantalite, a lepidolite, o berilo, o potássio e o feldspato, pedras preciosas e semi-preciosas. No Niassa exploravam-se pedras semi-preciosas. Em Manica, a actividade mineira dedicava-se à exploração do cobre, bauxite, fluorite e ouro. Mais a Sul, no distrito de Lourenço Marques extraía-se a bentonite.

Produção e exportação

Os principais minérios explorados eram: carvão, calcopirite, bentonite, antofilite, columbo-tantalite, microlite, pedras semi-preciosas (berilo, tumalinas) mica, potássio, feldspato, e fluorite. Os minérios que mais contribuíam em divisas para o país são: cobre, ouro, carvão e pedras semipreciosas.

Conclusão

Moçambique herdou do passado colonial uma actividade mineira caracterizada por um desenvolvimento desequilibrado. Foi a partir desde cenário genérico que se conceberam planos ambiciosos visando desenvolver o conhecimento geológico e mineiro do território, através de uma cobertura geológica e geofísica sistemática. Apesar de o trabalho prosseguir, existe já hoje uma carta geológica mais detalhada e um conhecimento mais profundo do potencial dos nossos recursos minerais.

Minerais   energéticos

Carvão mineral 

Moçambique dispõe de vastas reservas de carvão mineral, com particular destaque para as localizadas nas províncias de Tete e Niassa. O valor de reservas consideradas como provadas é de 6 biliões de toneladas. Para além da área de Moatize, existem diversas outras áreas em que decorrem trabalhos de pesquisa ou de avaliação de reservas.

Em Junho de 2007, o Governo assinou um contrato mineiro e atribuiu uma concessão mineira à Rio Doce de Moçambique, uma empresa do grupo CVRD. A CVRD havia sido seleccionada através de um concurso internacional aberto pelo Governo em 2004. 

A exploração do carvão de Moatize será efectuada através de mineração a céu aberto, com uma capacidade, na fase de plena exploração, de cerca de 26 milhões de toneladas de carvão bruto por ano, prevendo-se para 2010 o início da produção.

O escoamento do carvão será feito através da linha férrea de Sena e a sua exportação através de uma terminal de carvão a ser construída no porto da Beira. A disponibilidade de carvão produzido em grandes quantidades em Moçambique poderá criar oportunidades para a sua utilização no país em eventuais indústrias de ferro e aço ou para produção de cimento.

Existe actualmente, no mercado internacional, com destaque para o mercado indiano, uma grande procura de carvão, tanto de coque como de queima, sendo que os preços mais que duplicaram durante os últimos anos.

O carvão de coque é uma matéria prima importante para a produção de ferro e aço. Durante os últimos anos, o Ministério dos Recursos Minerais atribuiu várias licenças de pesquisa de carvão, muitas delas na província de Tete.

Gás natural em Moçambique

Os acordos assinados em Outubro do ano 2000, entre o Governo, a ENH, a Sasol marcaram o que viria a ser o desenvolvimento da indústria de gás natural em Moçambique. A SASOL é uma empresa  petroquímica sul-africana fundada em 1950. No exercício económico de 2007, teve um volume de vendas de 98,1 biliões de rands e arrecadou 17,5 biliões de rands de lucro líquido. Esta companhia começou a exportar gás moçambicano em Fevereiro de 2004 tendo como destino a vizinha África do Sul.

No ano de 2007, o consumo de gás natural em Moçambique foi de cerca de 1,5 milhões de gigajoules. Uma parte desta quantidade de gás natural é utilizada na produção de electricidade nos distritos do norte da Província de Inhambane e outra parte distribuída e comercializada pela MGC (Matola Gás Company) a diversos consumidores na zona industrial da Matola e Machava. O acordo define 5 possibilidades de take off points (pontos de distribuição), através dos quais Moçambique pode começar a usar o gás para uso doméstico, mas até agora o único ponto a funcionar é o de Ressano Garcia, havendo, no entanto, planos para se estabelecer uma pequena central de electricidade movida à gás em Chókwè.

Petróleo em Moçambique

O Petróleo é algo que ainda não é explorado em Moçambique, mas foi realizado um levantamento sísmico ao longo de toda  costa, tendo-se definido zona da bacia do Rovuma  como a de  maior probabilidade de  ocorrência deste recurso.

Segundo informações avançadas por várias empresas de pesquisa   a Bacia do Rovuma, norte de Moçambique tem condições geológicas similares às do Golfo do México e um potencial para produzir 3 biliões de barris de petróleo. 

Na região sul de Moçambique, a companhia petroquímica sul-africana Sasol em parceria com a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) tem um contrato de pesquisa e produção de petróleo para os blocos 16 e 19 da zona off-shore de Pande e Temane junto à Baía de Bazaruto. 

Produção

No período comprendido entre 1975 e 1985 a produção mineira em geral (exceptuando o carvão) conheceu flutuações,  que se reflectiram nas suas refeitas negativamente.

Dentre as razões que explicam o decréscimo da produção, conta-se o abandono massivo das minas por parte das empresas, como resultado da insegurança que caracterizou as regiões mineiras, insegurança e instabilidade das vias de transporte.
Nos últimos anos o relançamento da actividade mineira, mercê da segurança e estabilidade que o país observa, tem atraído muito investimento, sobretudo estrangeiro para o sector da mineração.

Mapa da distribuição dos recursos naturais

Indústria   florestal

Uma actividade voltada para o mercado, realiza-se sobretudo sob a forma de exploração de concessões florestais de espécies nativas. 

Com excepção do complexo de IFLOMA na Província de Manica e da serração de Mahate em Cabo Delgado, a maioria das serrações foram herdadas do período colonial. O equipamento já obsoleto, necessita de uma assistência permanente devido ao seu estado de deterioração, o que faz com que a taxa de aproveitamento da madeira em bruto seja geralmente baixa.

Distribuição Geográfica das Principais Indústria Extractivas

Indústria transformadora

A Indústria transformadora  nacional é produto de todo um processo que teve o seu início no século XIX, tendo passado por diversos períodos até aos nossos dias, dos quais destacam-se os seguintes:

1º Período: 1884 – 1914

A maior parte da indústria pertencia  a companhias estrangeiras, não portuguesas. Estas indústrias surgiram com  a necessidade de transformar os  produtos  agrícolas destinados à exportação, por isso eram localizadas principalmente nas zonas rurais.

2º Período:  1914 – 1945

Nesta etapa há um forte investimento de capitais  portugueses direccionados  para novos produtos de exportação. Mas também é neste período que se estabelecem pequenas indústrias orientadas para o mercado interno. Tratava-se de indústria  de substituição  de importações, como sejam: cimento, farinha de milho, cigarros, sabão e outros como é o caso de águas minerais e gelo. A maior parte destas indústrias localizavam-se em Lourenço Marques (Maputo). 

A partir dos anos 40 e no âmbito da integração de Moçambique  no espaço económico português, através da produção de culturas para exportação por uma lado e por outro na sequência da crescente implantação de colonos, o mercado interno foi-se expandindo gradualmente. Este facto, viabilizou um desenvolvimento industrial mais substancial. 

3º Período:  1945 – 1960

Neste período há um maior desenvolvimento das indústrias orientadas para o mercado interno, como resultado sobretudo da emigração massiva para as colónias que se registou após a 2ª Guerra Mundial. Assim, foram introduzidas novas indústrias para a produção de farinha de trigo, vestuários, calçados, mobiliário, pregos, pequena maquinaria e vidro. Como forma de aumentar a capacidade instalada, foram realizados investimentos consideráveis em fábricas de processamento de açúcar, chá, algodão e sisal.

O distrito da Zambézia apresentava um coeficiente de concentração industrial mais elevada, o que se deve especialmente aos incentivos dados à cultura do chá. No distrito de Nampula, a preparação do caju ganha cada vez maior importância.

Neste período, os valores mais baixos de concentração industrial registaram-se nos distritos do Niassa, Tete e Inhambane.

4º Período: 1960 – 1970

Durante os anos 60, empresas portuguesas e estrangeiras investiram numa refinaria de petróleo (1962), construção de vagões (1962) e numa fundação de ferro e aço (1963). Ao longo dos anos seguintes, foram feitos investimentos consideráveis em indústrias químicas, de plásticos e alimentos enlatados. Nos finais dos anos 60, a produção de artigos de luxo para consumo inteiro aumentou substancialmente.

5º Período: 1970 – 1975

− O desenvolvimento industrial em Moçambique conheceu o seu maior índice de crescimento na década de 70, tendo-se concentrado os maiores investimentos na província de Maputo e pela primeira vez ela aparece destacada em relação às restantes províncias no que se refere ao grau de concentração industrial, seguindo-se Sofala, Manica e Nampula.

− Foram realizados investimentos nos têxteis, processamento da castanha de caju e indústria do açúcar.

−  O auge da indústria transformadora moçambicana verificou-se em 1973, tendo-se tornado, e de acordo com as estatísticas portuguesas, no oitavo maior produtor industrial africano em 1974. Esta indústria era, na sua maioria, dependente de matérias-primas ou produtos do exterior.

− O desenvolvimento desta indústria foi acompanhado de um aumento de dependência em relação a fornecimento da R.S.A. O valor das importações da R.S.A. ultrapassava, em 1973, as importações vindas da Metrópole.

6º Período Pós: 1975

− Com a independência de Moçambique em 1975, cerca de 90% dos portugueses deixaram o país nos primeiros 2 anos de independência. Assim, muitas indústrias ficaram sem uma gestão técnica e comercial capaz de manter o seu ritmo de funcionamento.
− O colapso da indústria resultou na queda das importações das matérias-primas, produtos semi-acabadas e bens de consumo.

A falta de gestão, da técnica e de peças sobressalentes resultou numa redução significativa da produção industrial durante os primeiros anos de independência.

Sinais de recuperação notaram-se depois de 1977 e certos ramos da indústria tinham uma taxa de crescimento satisfatório. Esta recuperação, foi contudo descontínua depois de 1982, com muito poucas excepções.

Houve muitos factores que contribuíram para a evolução desta situação, sendo de destacar a situação de guerra, a seca e o aumento da falta de moeda convertível  e, por conseguinte, dificuldade de importação de factores da indústria.  

7º Período: a partir de 1987

Em 1987, é introduzido no País o  Programa de Recuperação Económica (PRE). Este programa permitiu a injecção de recursos externos em moeda e vários apoios em mercadorias à   balanço de pagamentos, especialmente para a importação de matérias-primas e de peças sobressalentes.

O objectivo do “PRE” na área industrial era o aumento da utilização da capacidade instalada, particularmente de indústrias produtoras de bens de consumo e intermediários susceptíveis de estimular a produção agrícola e a troca com a economia rural em geral, bem como das empresas produtoras de bens de exportação.

Foi assim que em 1987 as operações da indústria moçambicana conheceram o maior impulso dos anos mais recentes. O volume de produção de todas as actividades principais da indústria aumentou 21,5% em 1987 relativamente a 1986.

O crescimento verificado nos anos subsequentes nas indústrias alimentares, de tabaco, bebidas têxteis, calçado, bicicletas, tintas, colas, instrumentos agrícolas e algumas outras áreas de transportes e materiais de construção reflecte estas medidas. Apesar dos resultados positivos registados desde 1987, a desvalorização da moeda gerou outros problemas para a indústria. Com

efeito, a diminuição da capacidade de compra da população tem influenciado a capacidade de realização de lucros o que se reflecte negativamente nos planos de novos investimentos, modernização e expansão. Em certa medida, esta situação tem implicado inclusive a redução da actividade de certos ramos.

Para além dos aspectos referidos, importa destacar que a liberalização da actividade do comércio externo, tem exposto a indústria nacional a uma situação de concorrência em pé de desigualdade com outros bens manufacturados que entram no país  provenientes sobretudo dos países vizinhos.

Distribuição espacial da indústria transformadora

A indústria transformadora no nosso país concentrou-se nas principais cidades densamente povoadas, como é o caso da Cidade de Maputo, da Matola, da Beira e de Nampula, destacando os seguintes subsectores: Metalurgia, óleos de cozinha e sabões, têxteis e vestuários, embalagens, materiais de construção, química, florestais, metalo-mecânica, agro-industrial e alimentar, couro e calçado.

Distribuição geográfica da indústria transformadora

Leave a Reply

Your email address will not be published.

*