Cronologia Sobre a História de Moçambique

“Cronologia é uma ciência que tem por objectivo o estudo do tempo decorrido desde um determinado facto ocorrido na História do mundo, tomando como referencia qualquer outro acontecimento, de forma a fixar as datas dos diferentes eventos e respectivos intervalos” –Enciclopédia Luso-brasileira da cultura numero 6, Lisboa, 1967.

Cronologia (do grego chronos, que significa tempo + logos, que significa estudo) é a ciência cuja finalidade é a de determinar as datas e a ordem dos acontecimentos históricos, principalmente, descrevendo-os e agrupando-os numa sequência lógica. Esta disciplina insere-se numa ciência maior, que é História.

Cronologia é a listagem dos acontecimentos por datas, começando pelo mais antigo até ao mais recente. Veja o exemplo que segue de uma Cronologia da história recente de Moçambique.

Para a Cronologia de Moçambique, verifica-se que antes da chegada dos árabes à costa moçambicana, as datas são raras e mesmo as existentes do período após a chegada dos árabes não revelam a evolução histórica de todo o país, apenas dizem respeito à zona Norte do país até a região de Sofala.

I
1505: Portugueses fundam feitoria – Fortaleza de Sofala;
1507: Portugueses fundam feitoria – Fortaleza na Ilha de Moçambique;
1511:Portugueses atacam Angoxe, onde os Árabes-Swahili tinham formado um núcleo de resistência e usavam o Zambeze como via de penetração no interior;
1522: Portugueses conquistam ilha de Cabo Delgado ou Quirimbas;
1530: Portugueses penetram no Cuamba (nome primitivo de Zambeze). Fundação da Feitoria de Sena e Tete;
1544:Fundação da Feitoria ou Fortaleza de Quelimane. Os portugueses chegam a Loureço Marques.
1561: Padre Gonçalo da Silveira ao Zimbabwe do Mwenemutapa. O Mwenemutapa reinante baptizado com o nome de Sebastião;
1571: Expedição militar de Francisco Barreto no Zambeze e chega no Sena;
1572: Expedição militar de Fernando Homem. Invasão de Quiteve e de Manica.
1607: Gatsi Lucere, Mwenemutapa reinante, cede as minas do seu Estado aos Portugueses;
1629: Mavura é baptizado e cognominado D. Filipe II, faz amplas concessões militares, políticas e comerciais aos Portugueses;
1686: Chegam os primeiros sete mercadores indianos à Ilha de Moçambique;
1693: O primeiro levante armado sistemático contra a penetração portuguesa, encabeçado pelos Changamiras do Estado Butua;
1720: Portugueses fundam a Feitoria de Zumbo;
1721-30: Feitoria Holandesa da Baía de Maputo;
1752: As feitorias e entrepostos comerciais portugueses em Moçambique passam para a dependência administrativa directa de Portugal, separando-se assim das possessões coloniais portuguesas na Índia e do seu Vice-Rei.
1762: Um documento escrito refere à saída neste ano de 1100 escravos de Moçambique.


1765: Um documento refere a existência de 100 “Prazos” em Moçambique.
1799: Documento refere a saída anual de quatro a cinco mil escravos do nosso país.
1815/1820: Saem de Moçambique, anualmente, 15 a 20 mil escravos.
1821: Shochangana é o primeiro rei do Estado de Gaza.
1836: Primeira abolição do tráfico de escravos em Moçambique.
1840: Há agora só 46 “Prazos” em Moçambique.
1842: Nova abolição do tráfico de escravos; governador colonial José Marinho abandona
1868: Surge o “O Progresso”, primeiro jornal não oficial.
1869: Abolida a escravatura nas colónias portuguesas.
1875: Primeiro Código de Trabalho; No Sul, Moçambicanos emigram para Natal.
1877:Oficializada a emigração para Natal e Cabo.
1878: Revoltas camponesas no distrito de Quelimane, após tentativas de cobrança de impostos pelos portugueses.
1879: Novas revoltas em Quelimane; Chega a Moçambique o angolano Alfredo de Aguiar.
1884: Levante do Massingire; Ngungunhane ascende ao poder no Estado de Gaza.
1885: Alfredo de Aguiar funda “O Imparcial”.
1886: Portugueses atacam o Estado Militar de Massangano; é o início das campanhas militares de ocupação sistemática no nosso país.

II
1886/94: Alfredo de Aguiar funda três periódicos em Quelimane, nos quais ataca a exploração colonial.
1887: Início da construção da linha férrea Lourenço Marques-Transvaal.
1888: Funda-se a Companhia de Moçambique; Queda do Estado Militar de Massangano;
1890: Decreto de António Enes sobre os Prazos (os Africanos têm o dever moral de trabalharem).
1891: Levantes camponeses em Quelimane, Sena, Tete, etc.; funda-se a Companhia de
1892: Fundação da Companhia de Zambézia.
1894: A prisão é substituída pelo trabalho correccional no tocante aos “indígenas”; principia a utilização da linha férrea Lourenço Marques-Transvaal.
1895: António Enes cria as “circunscrições indígenas”; Companha armada portuguesa contra o Estado de Gaza; Batalha de Marracuene (2 de Fevereiro), Batalha de Magul (08 de Setembro de 1895), Batalha de Coolela (07 de Novembro de 1895), Prisão de Gungunhane (28 de Dezembro de 1895).
1897: Revolta de Cambuemba; Acordo de fornecimento pelos portugueses de mão-de-obra de Moçambique à África do Sul; Portugal ocupa a costa norte de Quelimane; Morte de Maguiguane em combate (21 de Julho de 1897); Linha férrea entre Beira e Untáli entra em funcionamento (via reduzida).
1898: Os Portugueses ocupam militarmente a Maganja da Costa.
1899: Regulamento do Trabalho dos Indígenas.
1902/4: Companhia da Zambézia ocupa militarmente uma área que se estende de Tete ao Nyassalândia.
1906: Portugueses ocupam “hinterland” da Ilha de Moçambique; Morte de Gungunhane (23 de Dezembro de 1906).
1908: Nasce o Grémio Africano de Lourenço Marques.
1908/12: Ataque português (com a participação de sipaios das companhias) e destruição dos Estados Ajaua junto do lago Niassa.
1909: João Albasini funda “ O Africano”; Primeira utilização do porto de Lourenço Marques. Angoxe e Ligonha são militarmente ocupadas.
1910: Criada a Intendência dos Negócios Indígenas e Emigração em Lourenço Marques; Angoxe e Ligonha são militarmente ocupadas.
1911: Novo Código do Trabalho; Tentativa de circulação da União Africana dos Trabalhadores (UAT) em Lourenço Marques. Criado em Lisboa o Ministério das Colónias.
1913: Interdito à WENENA o recrutamento de trabalhadores a Norte de Paralelo 22°, sobre pretexto de serem mais “atreitos” à tuberculose e pneumonia; Acordo entre Portugal e British South Africa Company pelo qual se cria uma “Curadoria de Indígenas Portugueses”.
1914: Regulamento Geral do Trabalho dos Indígenas das Colónias Portuguesas.
1914/18: Primeira Guerra Mundial; Em Moçambique, de 1915 a 1918, foram mobilizados mais de 12 mil soldados africanos e 9 mil trabalhadores.
1917: Revolta Báruè; portaria diferencia os “indígenas” dos “não indígenas”; Greve dos trabalhadores ferroviários de Lourenço Marques.
1919: Greve dos estivadores de Lourenço Marques (Maio).
1920: Companhia de Niassa lança uma campanha militar contra os Macondes (foi a última operação militar colonial da “ocupação efectiva”); a 20 de Junho nasce Eduardo Chivambo Mondlane, em Manjacaze, Gaza; Greve do pessoal dos carros eléctricos de Lourenço Marques; Nova greve dos trabalhadores ferroviários de Lourenço Marques; Greve do pessoal da “Imprensa Africana” (Tipografia de “ O Brado Africano”); Criação da Liga Africana.

1922: Morre João Albasini.
1923: Início da extracção de carvão nas minas de Moatize pela Sociétè Minière Géologique do Zambeze (capital maioritariamente belga).
1924: Greve do pessoal da Companhia de Niassa (começou em Dezembro de 1923); Começa a laborar uma fábrica de cimento em Lourenço Marques com capacidade de laboração anual de 35 mil toneladas.
1925: Fundação do Grémio Africano de Quelimane; Greve geral na Beira (território da Companhia de Moçambique); Greve dos estivadores assalariados de Lourenço Marques; Greve do pessoal da companhia de Moçambique; Greve dos ferroviários e portuários de Lourenço Marques (dura até Março de 1926).
1926: Decreto do cultivo obrigatório de algodão; Início da reorganização do porto e dos caminhos-de-ferro de Lourenço Marques; Greve dos trabalhadores do porto da Beira.
1928: Nova convenção entre Portugal e a África do Sul; Novo Código de Trabalho dos Indígenas das Colónias Portuguesas de África.
1929/30: No orçamento de Moçambique, atribuídos sete mil contos às Missões Católicas.

III
1930: Publicação do Acto Colonial; cessam os privilégios das soberanias das CompanhiasRegulamento do Trabalho dos Indígenas na Colónia de Moçambique; Criação da primeira escola de formação de professores primários “indígenas” na Manhiça, com uma frequência de 73 alunos; Estado colonial enceta a ocupação e a centralização administrativa da colónia e monopoliza a cobrança de impostos.
1931: O “mussoco” e o imposto de palhota representam entre ¼ e 1/5 dos rendimentos fiscais de Moçambique.
1933: Fundação do Instituto Negrófilo de Moçambique, resultante de uma cisão no Grémio Africano de Lourenço Marques; Greve dos estivadores do porto de Lourenço Marques, que ficou conhecida como a “greve da quinheta”.
1933: Nasce, a 29 de Setembro, Samora Moisés Machel.
1938: Criada a Junta de Exploração do Algodão Colonial; DETA inicia a exploração de carreiras regulares.
1940: Assinatura do Acordo Missionário ou a Concordata entre Portugal e a Santa Sé.
1941: Decreto sobre o cultivo forçado do arroz; A publicação do Estatuto Missionário;
1942: Introdução de novos impostos: o “imposto reduzido”, a “contribuição braçal”, etc;
1945: Aumento dos salários agrícolas e industriais; sob pressão internacional, Portugal introduz algumas melhorias na assistência social aos trabalhadores.
1947: Greve do cais de Lourenço Marques e nas plantações de Gaza (há 49 mortos); os régulos com mais de 500 contribuintes passam a receber ordenado mensal de 300$00 e casa de alvenaria.

1948: Greve no porto de Lourenço Marques (presos 200 grevistas, a maioria deportada para São Tomé).
1949: Fundação do NESAM; Portugal filia-se a NATO.
1950: Há 4349 “assimilados”; novo aumento dos salários agrícolas e industriais; Há 49 milcolonos.
1951: Por uma emenda constitucional, Portugal transforma colónias em “Províncias Ultramarinas”.
1952: Início dos Planos de Fomento.
1954: Novo aumento dos salários agrícolas e industriais (enquanto sobem os impostos, o que sucedia sempre que eram aumentados os salários aos trabalhadores).
1955: Há 2041 escolas rudimentares (sendo 2000 dirigidas pelas missões), com 242 412 alunos; Portugal filia-se na ONU.
1956: Greve no cais de Lourenço Marques.
1957: Instalação da PIDE.
1959: 392 796 crianças frequentam o “ensino de adaptação” (designação que substituiu a de “ensino rudimentar”), mas só 6 982 entraram no ensino primário.
1960: 17 países africanos ascendem à independência; funda-se a UDENAMO; Há 90 mil colonos em Moçambique; Novo aumento dos salários agrícolas e industriais; Massacre de Mueda (16 de Junho).
1961: Fundação da MANU e da UNAMI; Portugal monta o Serviço de Acção Psicológica, ramo da PIDE; Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas; Novo aumento de salários agrícolas e industriais; Mondlane visita Moçambique; Aumenta a penetração de capitais não portugueses em Moçambique.

IV
1962: Massacre dos trabalhadores de cana-de-açúcar de Xinavane; Fundação da Frente de Libertação de Moçambique (25 de Junho); Primeiro Congresso da FRELIMO; Eduardo Mondlane é eleito presidente; Portugal publica o Código do Trabalho Rural.
1963: Greves em Lourenço Marques, Nacala e Beira; Prisão de estivadores; Morre na prisão o estivador Paulo Balói, um dos dirigentes grevistas de Lourenço Marques; Criação do Instituto Moçambicano em Dar-Es-Salam; Criação do campo de treino político-militar de Bagamoyo; FRELIMO implanta-se no interior de Moçambique; Primeiros contingentes da Frente treinam-se na Argélia (entre os primeiros a partir conta-se Samora Machel).
1964: Inicia a Luta Armada de Libertação Nacional (25 de Setembro); PIDE encera NESAM; Fundado o campo de treino político-militar de Kongwa; Presos vários estudantes que procuraram lutar na FRELIMO; Há 35 mil soldados portugueses em Moçambique.
1965: Julgamento, entre outros, de José Craverinha, Rui Nogar, Abner Sansão Muthemba, Malangatana Valente Nguenha, etc.; Surgem as áreas libertadas da FRELIMO no norte.
1966: 100 Escolas Primárias da FRELIMO em Cabo Delgado, com 10 mil crianças.
1967: Criação do Destacamento Feminino; há de 65 a 70 mil soldados portugueses em Moçambique; Escolas da FRELIMO contraídas no Niassa com dez professores e duas mil crianças.
1968: Segundo Congresso da FRELIMO e aprovação das teses da Revolução Democrática Nacional; Mateus Sansão Muthemba e Paulo Khankomba são assassinados pelos “reaccionários”; Reabertura da Frente de Tete.
1969: Eduardo Mondlane é assassinado a 3 de Fevereiro; Lázaro Khavandame é expulso da FRELIMO; Inicia a construção da Barragem de Cahora-Bassa; 3 ͣSessão do Comité Central da FRELIMO; Vários elementos são expulsos da Frente e outros do Comité Central; Formação de uma direcção com Samora Machel, Marcelino dos Santos e Uria Simango; Suspensão de Uria Simango.1970: Simango é expulso da FRELIMO; Samora Machel é eleito presidente da FRELIMO e Marcelino dos Santos Vice-Presidente; Portugueses montam a sua maior operação militar de sempre, a “Nó Górdio”, mas a FRELIMO vence militarmente os Portugueses; Cessam os grandes investimentos imperialistas, inicia-se a sabotagem económica, fogem os colonos, etc.
1971: Massacre de Mucumbura; Morte de Josina Machel a 7 de Abril, devido a doença contraída na luta armada.
1972: Aberta a Frente de Manica e Sofala: Massacre de Wiriamu.
1973: Criação da OMM; Massacre de Chawola.
1974: FRELIMO avança no eixo Inhaminga-Beira e Vila Pery-Beira; Massacre de Inhaminga; Golpe de Estado em Portugal e cai o fascismo; Acordo em Lusaka sobre o cessar-fogo e a independência nacional (7 de Setembro): Nova vitória da FRELIMO; Surto grevista assola a actividade produtiva no País, particularmente nos sectores ferro-portuário, etc.; Os camponeses reclamam as terras expropriadas por companhias e coloniais e por colonos e fantoches nacionais; formação de grupos fantoches; Formação do Governo de Transição; Criação dos Grupos Dinamizadores ao nível dos locais de trabalho.
1975: Viagem triunfal de Samora Machel de Norte a Sul do País; Proclamação da Independência Nacional a 25 de Junho.
1976: Início da Guerra Civil entre o Governo da Frelimo e a Renamo;
16 de Março de 1984: Assinatura do Acordo de Nkomati entre o Governo moçambicano (liderado por presidente Samora Machel) e o regime sul africano (do Apartheid), sob a liderança do presidente Pieter Willem Botha;

19 de Outubro de 1986: Morte do primeiro presidente da Moçambique independente;
3 de Novembro de 1986: Joquim Chissano é nomeado novo presidente da Frelimo e da República de Moçambique;
18 de Julho de 1987: Massacre de Homoine;

V
1990 – O governo aprova uma nova cosntituição que introduz o multipartidarismo, em Moçambique.
1992 – O presidente Joaquim Chissano e o líder da Renamo Afonso Dhaklama assinam o Acordo Geral de Paz em Roma.
1994 – Realização das primeiras eleições gerais, no país. Chissano é eleito presidente da República.
1995 – Moçambique torna-se membro da Commonwealth.
1999 – Dezembro – Realização das Segundas eleições gerais, no país. Joaquim Chissanoderrota Afonso Dhaklama da Renamo. 2000 – Fevereiro – Cheias devastadoras inundam o sul do país.
2001 – Março – Inundações no Vale do Zambeze desalojam 70 mil pessoas.
2002 – Junho – Armando Guebuza, o veterano da luta pela independência de Moçambique, é apontado como candidato da Frelimo às presidenciais de 2004 – sucedendo, assim, a J. Chissano;
2003 – Novembro – Brasil promete constuir uma fábrica de medicamentos anti-retrovirais em Moçambique.
2004 – Dezembro – Realização das terceiras eleições gerais e Multipartidárias no país: Armando Guebuza da Frelimo derrota o seu principal rival, Afonso Dhaklama da Renamo.
2009: Armando Guebuza foi reileito Presidente de Moçambique;
13 de Abril de 2013: Início dos confrontos militares entre as forças governamentais e os homens armados da Renamo, na província de Sofala;
5 de Setembro de 2014: O presidente da República Armando Guebuza e o líder da Renamo, ratificaram um Acordo de Paz que pôs fim a mais de um ano e meio de confrontos;

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